segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sabe, eu não sei se gosto da sua nova forma de me chamar - talvez seja muito por força de falta de costume. De qualquer forma, é bom que você me chame de alguma coisa.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Everything.

When we get home I know we won't be home at all
This place we live
It is not where we belong
And I miss who we were
And the town that we could call our own
Going back to get away after everything has changed
Everything has changed

Cause you remind me of a time
When we were so alive

Do you remember that?
Do you remember that?

Could you help me push aside
All that I have left behind
Do you remember that?
Do you remember that?

So we stand here now
And no one knows us at all
I won't get used to this
I won't get used to being gone
And going back won't feel the same if we aren't staying
Going back to get away after everything has changed
Everything has changed

Its taking up our time again
Go back We can't go back at all
Its taking up our time again
Go back We can't go back at all

Its taking up our time
Taking up our time

Cause you remind me of a time
When we were so alive
Do you remember that?
Do you remember that?

(Franklin - Paramore)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Nômade

Eu tenho uma casa, sabe, e nessa casa tem tantas plantas que seria uma bobagem procurar contá-las; não adianta. Estão sempre se prolifereando, que nem bichos. Na correria do dia-a-dia, do mês-a-mês, dos anos-em-anos, nascem e morrem; e onde morre uma sempre nascem várias, em forma de brotos de sementes que por ali mesmo ficam espalhadas. Algumas, depois de morrer, renascem qual fênix; suas penas, feitas de um vermelho vivo, tão brilhante quanto outrora, prometendo começar a nascer já para a estação seguinte, movidas e munidas da mesma energia, que é, na verdade, mera consequência.
E essas plantas, meu Senhor, junto com todas as alegrias e tristezas que me trazem, são o meu maior e mais insubstituível tesouro. É claro, eu posso ir lá fora a hora que quiser, posso passear pelas esquinas sem limites do mundo, me hospedar nos hotéis de sempre ou em outros, menos ou mais indolentes, ver o céu e empinar pipas nas noites claras. Posso e desejo ir aonde quero, mas não posso jamais me esquecer de minhas plantas, que ficaram lá na minha terra natal inexistente de mapa, grudadas nas paredes, chão, teto e jardins, quietas enquanto eu não volto. E não há vizinho que tope cuidar delas, Senhor, nem que seja por um dia. Também, não quero que cuidem. Mas por isso eu não posso demorar muito n'outros lugares, que sem mim elas não existem e sem elas eu não estou nem aqui. E, sem regá-las, ou não lhes dando a atenção que lhes convém, elas morrem, cedo ou tarde, e não se regeneram depois, nem voltam mais, em forma de outras flores. E nem eu posso voltar mais, se não voltar dos lugares de onde venho. Por isso, meu Senhor, eu levo vida de nômade, mas como que tendo como certa uma única de minhas moradias, a que eu posso, de fato, chamar de lar. Como que uma parada final certa, ao fim de cada alvorada. E, por isso, sinto não poder serví-lo da maneira que certo seria, e nem permanecer aqui por mais do que apenas alguns dias.
Sabe, eu sei que o dia delas há de chegar, mas quero muito que, quando aconteça, eu já esteja preparada para, sem mais nenhuma pendência a cumprir na Terra, sem nenhum desapego, poder ir junto com elas, na mesma hora e no mesmo momento. Que, se tem uma coisa que eu faço questão de que não morra antes de mim, Senhor, é a minha casa, junto com o meu velho quarto e as minhas plantas, tudo contido no humilde pacote de uma trouxa só, que eu, ainda que não se possa ver, levo para todos os cantos e pros lugares por onde ando, remendando os furos que por ventura surjam no tecido, posto que a bagagem é pesada, e tomando conta, de longe, de tudo. E tanto que eu já tenho pega a manha de remendar furos. Meu Senhor, que mal lhe pergunte, poderia eu, na vil tentativa de redimir-me, oferecer-lhe um serviço temporário de remendo de furos?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Caixa vazia.

E foi pensando em tudo que os meus olhos desmontaram. Eu nunca sei que parte foi você, que parte fui eu, que parte foi a deficiência da parte que à gente não cabia. Eu só sei que o mais fácil acabou se tornando pensar no rosto dela, agora, e não nele, verdadeiramente, mas no que representa. Ana, é que parece que tudo que você faz, e até quando não faz nada, só torna tudo tão continuamente, ameaçadoramente mais concreto do que logicamente devesse. O seu não fazer é mais ação concreta do que o fazer de todo o mundo, ainda que eu sempre tenha sabido desse seu costumeiro costume de ser singular.

É só que a minha coluna já dói, e os meus pés já doem, e o meu pescoço já dói de tentos dias passados em cima daquela mesma pedra, naquela mesma posição, só esperando (ainda que sem saber ao certo que era isso que eu esperava) você chegar mergulhando e, com vontade, se juntar a mim em cima da pedra, apoiar sua cauda nos meus joelhos e me fazer saber que posso contar mais uma piada idiota sobre o mundo e sobre a quantidade de minutos que você se atrasou, naquele dia. Que você sempre se atrasa. Como sempre, você iria dever saber que eu não me importava, verdadeiramente; que você podia me deixar eternidades esperando, que eu só dizia aquilo pra tentar tirar de você um sorriso.

Ana, eu sem querer me cansei de sentar e esperar naquela pedra, os desenhos, os cd's e o caderno pesando cada dia um pouco mais dentro daquela mochila desbotada que eu costumava carregar todas as vezes, no meu ombro esquerdo. Eu sei que o que prometi a você foi fazer o possível para morar contigo lá, e eu de fato o fiz. A pedra ainda continua lá, na praia de sempre, mas ela já deixou de esperar pela gente há tempos. Eu é quem não dei ouvidos à pedra, nem às gaivotas, nem às ostras, e nem às baratas-de-praia, quando me disseram que você não voltaria.

Na verdade, indo um tanto quanto mais fundo, a idealização da espera não tem tanta relação com você, que, inclusive, nem fazia idéia do que realmente era a existência da mesma. A minha espera foi sempre muito mais marcada de mim mesmo.

E, pensando bem, nada me custa, e muito menos me impede, de ver a causa do fim assim: eu humano, você sereia; mundos diferentes e, portanto, incompatíveis. Uma visão muito mais simples, bonita e sem deixar de ser, contudo, a mais pura verdade. Afinal, o que nos separou foi mesmo a sua cauda.

Se você já se casou, eu não tenho mesmo como saber, Whatsername. Nem como você tem passado. Há apenas o rosto dela, o seu corte de cabelo curtíssimo, os olhos meio puxados quando sorri, o sorriso despojado e a rojada de incertezas que este sempre me traz. Tudo muito devidamente, perfeitamente ao contrário de você, e não tinha como ser de outra maneira. Como eu já disse, não é ela, e sim o que representa.

Eu não vou te enviar essa carta, Princesa, como já é de praxe. Mas é tudo sem dúvida muito mais belo assim, e essa beleza é comprovadamente do tipo que mereceria o baú mais bem protegido e caro, de preferência, todo coberto de pérolas negras, vigiado pelo maior número de homens (os mais bem pagos para executarem decentemente a sua função de guardas) e com o maior número de chaves secretas e não-secretas. Afinal, os tais oito meses já se passaram, e olha eu aqui, na mesma bancada de madeira, escrevendo. Alguns espelhos, perfumes e fotografias arrumados de forma diferente, mas eu ainda estou aqui. Acho que isso prova que eu não previ as coisas de uma maneira tão errada, afinal. Acontece que eu acabo sempre voltando aos oito meses, toda a densidade em forma de condensação que a eles pertence. Quer dizer, não que eu precise da ciência e das suas razões em reações químicas perfeitamente explicáveis esse tipo de período de tempo tão cuidadosamente determinável, você bem sabe que eu nunca precisei de nada disso. E é justamente por isso, Ana, que eu resolvi juntar todos os pedaços restantes de mim e de meu corpo, fazendo, da forma mais comum possível (pra não perder o costume) juz a tudo o que eu já tanto desconjurei, dizendo-lhe, mais uma vez. No fundo, bem sei, e você não precisa me dizer, esse meu ato não passa de mais uma manifestação precisa dessa minha mania desconjuntada de querer me redimir comigo mesmo, e talvez nada mais. Quer dizer, talvez eu também queira, com isso, finalmente poder catar os meus olhos, podendo, então, voltar a fazer deles o que eu bem entender. Espero que não se importe de eu usar de clichês... Mas que bobagem a minha! Bem sei que a gente nunca se importou, de fato. Bom, o que quero dizer, enfim, ao vento-você: Eu te amo. Muito. Mesmo. Sempre.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pouco a pouco

Tô querendo reconstruir o meu castelo, dessa vez, em forma de cidade. Reciclar os mesmos blocos; se necessário, descartar uns, acrescentar outros... Fazer uma cidade nova em folha, tão bonita quanto um castelo.

Just thinking

Algumas coisas não fazem sentido. Ou deixam, ou então nunca fizeram sentido, mesmo. O fato é que, no momento, a impressão mais presente é de que a vida se faz mesmo nos pequenos fragmentos, cacos infundados do que deveria supostamente se mostrar, no fim, como o tudo e uma coisa só. Mas eu ando vivendo demais aos pedaços; perco uns, encontro outros, conjuro os que faltam. Esqueço justamente os que se perdem em mim, desamparo e marginalizo o que já nem sei. E, apesar de saber que estão ali, com a cabeça entre os joelhos e encostados em alguma parede descascada das minhas entranhas, não os resgato. Também não os nego. Já não me cabe nada a fazer, além de ouvir as acusações que a mim são dirigidas, juntamente com o meu histórico criminal, balançar a cabeça e não dizer palavra. Como poderia buscar uma defesa justa, se nem eu mesma possuo plena noção do que fiz e do que deixei de fazer? Se nem eu sei do que poderia ter sido capaz de fazer, ainda hoje? A qual extremo chegaria? Tudo se passou em meio a uma núvem densa demais de fora de si.
Assim, eu me mantenho mentalmente impune, saudável de forma segura, na medida do possível.
Ana, eu nunca teria sido capaz de imaginar a gente aqui.

sábado, 18 de setembro de 2010

Segundos

Meu coração e meus passos
Andam em círculos atrás do seu rastro
Meus pés e meu peito
E no meu pulso direito
Bate o seu atraso
Será que você, meu bem
Será que você não vem?

(Adriana Calcanhotto)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

La redecouverte

Silenciosa e encolhida, de olhos fechados e peito aberto, eu me entrego, novamente, ao meu próprio mundo. Um mundo talvez nem paralelo a este, onde sonhos são trocados, nesse exato momento. O acontecimento e o desacontecimento do ano. E um novo ato de entrega e troca pede um tal sonho novo, novinho em folha. Núvens, entreabrindo-se, comemoram. Está tudo aqui, escondido. Posso ver tudo e, ao mesmo tempo, não posso ver nada do que há lá fora. Nesse tempo interno, eu me permito não enxergar nada além do que estou realmente disposta a conhecer.

Flores – eu vejo. Orvalho. Cheiro de orvalho. Escuro, muito escuro. Tarde da noite, e um fundo musical irreconhecível. Passo dando voltas, rodopios por entre os cabos e os fios irreais que nos conectam; toco a sua mão. E, então, não há nada além de um sorriso mudo à minha frente – inexpressivo, talvez? Quem sabe.

No entanto, não há gritaria. Nem horário. Não há seriedade, nem atmosfera, milímetros de mercúrio. Porém ainda existe uma quantidade indeterminada de mágoa e passado. Nada, nem toda energia concentrada, contida no meu sonho (energia a qual eu, outrora, imaginei ser forte o suficiente para poder qualquer coisa) é capaz de apagá-los.

E, então, eu já não sei mais quem é você. Não sei mais... Uma confusão enorme de diferentíssimos rostos, bocas, vozes e atitudes me faz irreconhecer a sua imagem. Turva, sem nexo. Será que eu, um dia, fui capaz de reconhecê-la verdadeiramente? Oh, dúvida intragável. Inconveniências mostram-se como coisas irremediavelmente extraordinárias... E eu já acho que não sei mais de nada, de fato. Como poderia saber?

A dúvida sempre restante gira em torno, apenas, do rumo que o sonho toma, a partir daí.




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Uma vez, ouvi dizer que os idosos, durante boa parte dessa fase da vida, voltam a ser crianças.

505

I'm going back to 505
If it's a 7 hours flight
Or a 45 minute drive
In my imagination
You're waiting lying on your side
With your hands between your thighs

Stop and wait a sec
When you look at me like that
My darling what did you expect?
I probably still adore you
With your hands around my neck
Or I did last time I checked

I'm not shy of a spark
The knife twists at the thought
That I should fall short of the mark
Frightened by the bite
No it's no harsher than the bark
A middle of adventure
Such a perfect place to start

I'm going back to 505
If it's a 7 hour flight
Or a 45 minute drive
In my imagination
You're waiting lying on your side
With your hands between your thighs

But I crumble completely when you cry
It seems like once again you've had to greet me with goodbye
I'm always just about to go and spoil the surprise
Take my hands off of your eyes too soon

I'm going back to 505
If it's a 7 hour flight or a 45 minute drive
In my imagination you're waiting lying on your side
With your hands between your thighs
And a smile

(Arctic Monkeys)

domingo, 27 de junho de 2010

Poeira das ruas.

Eu sou poeira das ruas. Sou ferro. Sou fogo. Sou a fusão dos dois. Sou margarina e, quando conveniente (apenas quando conveniente) sou acéfalo desmemoriado. Sou seus olhos, sou a cor deles. Sou a cor do meu pincel e também a das piadas diárias, sem graça e sem sentido. Sou sonho desprovido de pensamento. Sou a falta de raciocínio lógico. Sou sinal fechado. Sou trânsito engarrafado; sou tráfico. Sou droga ilícita, aos montes. Sou a falta de juízo que supera o juízo final, tão, tão ansiosamente esperado. Sou a falta daquela vontade tão embriagada de outrora. Sou cheiro, sou asas, sou lábio inferior. Sou luz; sou nada. Vida e morte, morte e vida. Sou apelação. Sou cruz. Sou a mão que guarda a pedra que apedreja a cruz. Sou garra, sou gancho, sou faca... Sou nada. Sou bem-estar bem preguiçoso. Sou tudo de volatilidade, tudo. Sou filme de final de semana distante. Sou o grito alto da gaivota lá do alto, confundido com riso por uma criança até então poupada. Até então inocente. Sou formigamento, sou fadiga muscular. Sou dor e sou amor. Cor; cor de melancia partida no meio, contraste de kiwi, sabor de manga pêca. Sou segunda-feira. Sou incerteza, sou voracidade. Sou a cor e a textura que a lua cheia assume, quando está mais alta. Sou um baobá. Sou o peito teu. Sou ilusão de posse do peito teu. Sou coisa que não se determina, coisa pirateada, quem sabe. Sou passagem que não se determina. Eu vim, estou e permanecerei ainda de passagem. Sou força que se força. Sou grito surdo de rebelião, de revolta. Sou reconhecimento (ou a falta dele). Sou o não. Sou abraço demorado, reconfortante. Sou abraço que não é abraço, sou abraço de má vontade. Sou reprodução por brotamento. Sou relapso. Sou déjà-vu. Sou o subconsciente. Sou o seu perdão. Sou viagem. Sou o sair daqui. Sou a paz que tem sempre de começar a guerra. Sou comum e sou loucura dissimulada. Sou ultraje. Sou perigo. No mais, sou porto-seguro. Sou o fechar de olhos quieto e sem expressão na noite escura. Sou toda quietude. Sou tudo o que não me pertence. Sou nada, sou nada. Sou o que não sou eu mesma em minha intenção longínqua de ser.

Eu sou uma folha seca de formato irrelevante, partida em seu meio exato, no chão cheio de tôcos de cigarro de uma barraca qualquer.