Silenciosa e encolhida, de olhos fechados e peito aberto, eu me entrego, novamente, ao meu próprio mundo. Um mundo talvez nem paralelo a este, onde sonhos são trocados, nesse exato momento. O acontecimento e o desacontecimento do ano. E um novo ato de entrega e troca pede um tal sonho novo, novinho
Flores – eu vejo. Orvalho. Cheiro de orvalho. Escuro, muito escuro. Tarde da noite, e um fundo musical irreconhecível. Passo dando voltas, rodopios por entre os cabos e os fios irreais que nos conectam; toco a sua mão. E, então, não há nada além de um sorriso mudo à minha frente – inexpressivo, talvez? Quem sabe.
No entanto, não há gritaria. Nem horário. Não há seriedade, nem atmosfera, milímetros de mercúrio. Porém ainda existe uma quantidade indeterminada de mágoa e passado. Nada, nem toda energia concentrada, contida no meu sonho (energia a qual eu, outrora, imaginei ser forte o suficiente para poder qualquer coisa) é capaz de apagá-los.
E, então, eu já não sei mais quem é você. Não sei mais... Uma confusão enorme de diferentíssimos rostos, bocas, vozes e atitudes me faz irreconhecer a sua imagem. Turva, sem nexo. Será que eu, um dia, fui capaz de reconhecê-la verdadeiramente? Oh, dúvida intragável. Inconveniências mostram-se como coisas irremediavelmente extraordinárias... E eu já acho que não sei mais de nada, de fato. Como poderia saber?
A dúvida sempre restante gira em torno, apenas, do rumo que o sonho toma, a partir daí.
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