sexta-feira, 2 de julho de 2010

La redecouverte

Silenciosa e encolhida, de olhos fechados e peito aberto, eu me entrego, novamente, ao meu próprio mundo. Um mundo talvez nem paralelo a este, onde sonhos são trocados, nesse exato momento. O acontecimento e o desacontecimento do ano. E um novo ato de entrega e troca pede um tal sonho novo, novinho em folha. Núvens, entreabrindo-se, comemoram. Está tudo aqui, escondido. Posso ver tudo e, ao mesmo tempo, não posso ver nada do que há lá fora. Nesse tempo interno, eu me permito não enxergar nada além do que estou realmente disposta a conhecer.

Flores – eu vejo. Orvalho. Cheiro de orvalho. Escuro, muito escuro. Tarde da noite, e um fundo musical irreconhecível. Passo dando voltas, rodopios por entre os cabos e os fios irreais que nos conectam; toco a sua mão. E, então, não há nada além de um sorriso mudo à minha frente – inexpressivo, talvez? Quem sabe.

No entanto, não há gritaria. Nem horário. Não há seriedade, nem atmosfera, milímetros de mercúrio. Porém ainda existe uma quantidade indeterminada de mágoa e passado. Nada, nem toda energia concentrada, contida no meu sonho (energia a qual eu, outrora, imaginei ser forte o suficiente para poder qualquer coisa) é capaz de apagá-los.

E, então, eu já não sei mais quem é você. Não sei mais... Uma confusão enorme de diferentíssimos rostos, bocas, vozes e atitudes me faz irreconhecer a sua imagem. Turva, sem nexo. Será que eu, um dia, fui capaz de reconhecê-la verdadeiramente? Oh, dúvida intragável. Inconveniências mostram-se como coisas irremediavelmente extraordinárias... E eu já acho que não sei mais de nada, de fato. Como poderia saber?

A dúvida sempre restante gira em torno, apenas, do rumo que o sonho toma, a partir daí.




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