sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Everything.

When we get home I know we won't be home at all
This place we live
It is not where we belong
And I miss who we were
And the town that we could call our own
Going back to get away after everything has changed
Everything has changed

Cause you remind me of a time
When we were so alive

Do you remember that?
Do you remember that?

Could you help me push aside
All that I have left behind
Do you remember that?
Do you remember that?

So we stand here now
And no one knows us at all
I won't get used to this
I won't get used to being gone
And going back won't feel the same if we aren't staying
Going back to get away after everything has changed
Everything has changed

Its taking up our time again
Go back We can't go back at all
Its taking up our time again
Go back We can't go back at all

Its taking up our time
Taking up our time

Cause you remind me of a time
When we were so alive
Do you remember that?
Do you remember that?

(Franklin - Paramore)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Nômade

Eu tenho uma casa, sabe, e nessa casa tem tantas plantas que seria uma bobagem procurar contá-las; não adianta. Estão sempre se prolifereando, que nem bichos. Na correria do dia-a-dia, do mês-a-mês, dos anos-em-anos, nascem e morrem; e onde morre uma sempre nascem várias, em forma de brotos de sementes que por ali mesmo ficam espalhadas. Algumas, depois de morrer, renascem qual fênix; suas penas, feitas de um vermelho vivo, tão brilhante quanto outrora, prometendo começar a nascer já para a estação seguinte, movidas e munidas da mesma energia, que é, na verdade, mera consequência.
E essas plantas, meu Senhor, junto com todas as alegrias e tristezas que me trazem, são o meu maior e mais insubstituível tesouro. É claro, eu posso ir lá fora a hora que quiser, posso passear pelas esquinas sem limites do mundo, me hospedar nos hotéis de sempre ou em outros, menos ou mais indolentes, ver o céu e empinar pipas nas noites claras. Posso e desejo ir aonde quero, mas não posso jamais me esquecer de minhas plantas, que ficaram lá na minha terra natal inexistente de mapa, grudadas nas paredes, chão, teto e jardins, quietas enquanto eu não volto. E não há vizinho que tope cuidar delas, Senhor, nem que seja por um dia. Também, não quero que cuidem. Mas por isso eu não posso demorar muito n'outros lugares, que sem mim elas não existem e sem elas eu não estou nem aqui. E, sem regá-las, ou não lhes dando a atenção que lhes convém, elas morrem, cedo ou tarde, e não se regeneram depois, nem voltam mais, em forma de outras flores. E nem eu posso voltar mais, se não voltar dos lugares de onde venho. Por isso, meu Senhor, eu levo vida de nômade, mas como que tendo como certa uma única de minhas moradias, a que eu posso, de fato, chamar de lar. Como que uma parada final certa, ao fim de cada alvorada. E, por isso, sinto não poder serví-lo da maneira que certo seria, e nem permanecer aqui por mais do que apenas alguns dias.
Sabe, eu sei que o dia delas há de chegar, mas quero muito que, quando aconteça, eu já esteja preparada para, sem mais nenhuma pendência a cumprir na Terra, sem nenhum desapego, poder ir junto com elas, na mesma hora e no mesmo momento. Que, se tem uma coisa que eu faço questão de que não morra antes de mim, Senhor, é a minha casa, junto com o meu velho quarto e as minhas plantas, tudo contido no humilde pacote de uma trouxa só, que eu, ainda que não se possa ver, levo para todos os cantos e pros lugares por onde ando, remendando os furos que por ventura surjam no tecido, posto que a bagagem é pesada, e tomando conta, de longe, de tudo. E tanto que eu já tenho pega a manha de remendar furos. Meu Senhor, que mal lhe pergunte, poderia eu, na vil tentativa de redimir-me, oferecer-lhe um serviço temporário de remendo de furos?