terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Velho Wilson (ou Na Banheira)

Queria mesmo era não se zangar com o que pode parecer tão pouco. Levar tudo na esportiva, ou apenas deixar de lado certas adversidades e encobrí-la com um sorriso despreocupado. Mas eram essas pequenas coisas as quais o tiravam do sério que tinham o costume de esconder, em migalhas de pão dormido, o som das verdades. E eram esses pequenos estilhaços de verdade que machucavam e faziam arder a pele do velho Wilson. Este, já sentia como se quase não lembrasse dos seus tempos de mocidade, quando sorrir era algo tão rotineiro. Invejava (e se condenava por isso) os que tinham como realização este ''bom humor'' que ele tanto almejava; e uma pessoa em particular, dele tão próxima: O seu meio-irmão. E entendia, por assim dizer, a causa de tamanha diferença de personalidade; seu irmão simplesmente lidara com acontecimentos diferentes, de formas diferentes das quais ele próprio, como Sr. Wilson, havia acostumado-se em lidar. E isso tanto não tinha explicação certa quanto não tinha volta. Era tudo muito questão de sorte e de peito aberto, mas muito mais de sorte. E, assim, ele se sentava em sua cadeira de balanço de caráter duvidoso, no meio do nada, e pensava que já não havia jeito. Ele, um velho tão enrugado que a aparência de suas mãos já não lhe fazia diferença, após ter passado o tempo que fosse dentro d'água - o que poderia ainda ter tempo de fazer para mudar algo no seu jeito? Não era assim, pá-pum, uma coisa bonita e completamente alterada, como nas histórias de criança. Fazia tempo que ele já não as compreendia. Era o peso de uma vida, o que ele carregava, de uma vida inteira. O jeito mesmo era esperar que nascesse de novo.
Só queria ele tê-lo descoberto antes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário